Carta ao Editor - Ano 2019 - Volume 55 - Número 3

Análise comparativa entre contadores de células sanguíneas e aplicativos móveis gratuitos na contagem diferencial de leucócitos

Comparative analysis of blood cell counters and free mobile applications in differential leukocyte count

Isabelle V. M. Siqueira; Catharina A. B. Ramos; Gabriella S. Barboza; Luísa V. C. Marques; Emilly F. N. Silva; Hye C. Kang

Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, Rio de Janeiro, Brasil

Endereço para correspondência

Isabelle Vasconcelos Menegoy Siqueira
Orcid: 0000-0001-9561-1610
e-mail: isabellemenegoy@gmail.com

Primeira Submissão em 06/01/2019
Última Submissão em 07/01/2019
Aceitado para sua publicação em 07/01/2019
Publicado em 20/06/2019

CARTA AOS EDITORES

Na edição 50, volume 6, do Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial (JBPML), Santos et al. (2014) destacaram a importância da contagem manual de células em laboratórios clínicos(1). Entretanto, sabe-se que os contadores diferenciais, manuais e digitais, sempre tiveram necessidade de melhorias. A insuficiência de métodos práticos que facilitam a contagem diferencial das células sanguíneas destaca a disponibilidade de aplicativos móveis (apps) que desempenham o papel de contadores diferenciais de leucócitos(2, 3).

Nesse contexto, o alto custo-benefício dos contadores e a necessidade de unidades em quantidade suficiente para acomodar cada microscópio usado para contagem são compensados pela ampla disponibilidade dos apps. A falta de atualização dos contadores resulta, frequentemente, em ausência ou excesso de botões para uma determinada tarefa(3). Por outro lado, os apps compreendem a possibilidade de personalização, permitindo configuração de uma contagem com a quantidade e o tipo de célula selecionada pelo usuário. Alguns deles também dispõem de imagens dos diferentes tipos de células que são confirmadas pela emissão de som ou vibração; nesses casos, esse som é exclusivo para cada tipo de célula, o que permite maior grau de confiabilidade.

Tipicamente, na contagem manual de leucócitos, um total de 100 células são contadas e categorizadas de acordo com seu tipo(4). Nos contadores, a configuração dos botões geralmente é espaçada, o que exige a confirmação visual por parte do operador e pode contribuir para um erro operacional. Da mesma forma, a inadequação de alguns apps para os diferentes tamanhos de telas dos celulares teve como consequência uma disposição desfavorável das teclas para a contagem, dificultando seu uso. É importante ressaltar que os contadores também não possuem recursos de edição, o que torna a correção de erros demorada e sujeita a recontagem(3). A opção undo ou desfazer aparece como um recurso para correção da contagem em apps, permitindo que os usuários excluam os erros mais recentes sem a necessidade de reiniciar.

Os contadores usuais não apresentam um sistema capaz de transferir diretamente esses resultados para sistemas de informações laboratoriais. Eles aumentam o tempo necessário para gerar relatórios e isso facilita a possibilidade de resultados errados, com alto potencial de comprometimento da segurança do paciente. Muitos apps dispõem de opções de armazenamento e compartilhamento dos resultados em sua interface, auxiliando na transferência dos dados e minimizando possíveis erros.

A flexibilidade e a facilidade da utilização de apps que podem ser empregados em laboratórios clínicos se estende até a área da educação em hematologia que, rotineiramente, conta com práticas laboratoriais(5). Embora não tenham sido amplamente adotados pelos laboratórios clínicos, os contadores de leucócitos encontrados em apps funcionam de forma semelhante aos contadores diferenciais manuais e digitais, e podem ser considerados um recurso prático e econômico na rotina laboratorial.

 

REFERÊNCIAS

1. Santos FJ, Figueira DO, Souza JEO. Prevalência de alterações microscópicas discordantes com análise automatizada do hemograma. J Bras Patol Med Lab. 2014; 50(6): 398-401.

2. Geum Y, Jeon H, Lee H. Developing new smart services using integrated morphological analysis: integration of the market-pull and technologypush approach. Service Business. 2015; 10(3): 531-55. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11628-015-0281-2.

3. Thurman AC, Davis JL, Buelow BD, Jan M, McCulloch CE. Development and validation of an app-based cell counter for use in the clinical laboratory setting. J Pathol Inform. 2015; 6(1): 2. PubMed PMID: 25722942.

4. Jacob EA. Complete blood cell count and peripheral blood film, its significant in laboratory medicine: a review study. Am J Lab Med. 2016; 1(3): 34-57. Disponível em: http://article.sciencepublishinggroup.com/html/10.11648.j.ajlm.20160103.12.htm.

5. Dorsey ER, Yvonne Chan YF, McConnell MV, Shaw SY, Trister AD, Friend SH. The use of smartphones for health research. Acad Med. 2017; 92(2): 157-160. PubMed PMID: 27119325.

 

Indexadores