Case Report - Ano 2019 - Volume 55 - Número 2

Fibroma odontogênico periférico em gengiva mandibular: relato de caso

Peripheral odontogenic fibroma in the mandibular gingiva: case report

1. Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Campina Grande, Paraíba, Brasil
2. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal, Rio Grande do Norte, Brasil

Endereço para correspondência

Cassiano Francisco Weege Nonaka
0000-0003-2380-109X
e-mail: cfwnonaka@gmail.com

Primeira Submissão em 02/11/2018
Última Submissão em 02/11/2018
Aceitado para sua publicação em 05/12/2018
Publicado em 20/04/2019

RESUMO

Fibroma odontogênico periférico (FOP) é uma neoplasia benigna rara, de origem mesenquimal odontogênica, representando aproximadamente 4,7% de todos os tumores odontogênicos. Este artigo relata o caso de uma mulher de 29 anos de idade que se apresentou com um nódulo avermelhado, indolor, na gengiva mandibular vestibular direita, entre o segundo pré-molar e o primeiro molar. O exame radiográfico revelou uma pequena perda óssea na região da crista alveolar. A análise microscópica evidenciou um tumor composto de tecido conjuntivo fibroso celularizado, entremeado por conspícuas ilhas e cordões de epitélio odontogênico aparentemente inativo. O diagnóstico final foi de FOP. Nenhum sinal clínico de recorrência foi observado 22 meses após a excisão cirúrgica. O FOP pode ser clinicamente confundido com outras lesões gengivais comuns, como granuloma piogênico, lesão periférica de células gigantes e fibroma ossificante periférico. A excisão local conservadora tem sido sugerida como tratamento de escolha para o FOP. No entanto, tendo em vista a escassez de informações sobre o comportamento biológico e a taxa de recorrência desse tumor, o acompanhamento dos pacientes a longo prazo é mandatório.

Palavras-chave: tumores odontogênicos; gengiva; mandíbula; diagnóstico diferencial.

ABSTRACT

Peripheral odontogenic fibroma (POF) is a rare benign neoplasm of odontogenic mesenchymal origin that accounts for approximately 4.7% of all odontogenic tumors. This article reports the case of a 29-year-old woman who presented with a painless, reddish mass in the right vestibular mandibular gingiva between the second premolar and the first molar. Radiographic examination revealed small crestal bone loss in the region. Microscopic analysis revealed a tumor composed of cellular fibroblastic connective tissue intermingled with conspicuous islands and strands of apparently inactive odontogenic epithelium. The final diagnosis was POF. No clinical signs of recurrence were observed 22 months after surgical excision. POF may be clinically mistaken for other common gingival lesions, such as pyogenic granuloma, peripheral giant cell lesion, and peripheral ossifying fibroma. Conservative local excision has been suggested as the treatment of choice for POF. However, in view of the paucity of information on the biological behavior and recurrence rate of this tumor, long-term follow-up of patients is mandatory.

Keywords: odontogenic tumors; gingiva; mandible; differential diagnosis.

RESUMEN

El fibroma odontogénico periférico (FOP) es una neoplasia benigna rara de origen mesenquimatosa dental, que representa aproximadamente el 4,7% de todos los tumores odontogénicos. Este reporte describe el caso de una mujer de 29 años de edad que se presentó con un nódulo rojizo indoloro en la encía mandibular vestibular derecha, entre el segundo premolar y el primer molar. El examen radiográfico reveló una pequeña pérdida de tejido óseo en la región de la cresta alveolar. El análisis microscópico mostró un tumor compuesto de tejido conjuntivo fibroso celular entremezclado con visibles islotes y filamentos de epitelio odontógeno aparentemente inactivo. El diagnóstico final fue FOP. No se observó recurrencia de la lesión después de 22 meses de la cirugía. El FOP puede ser clínicamente confundido con otras lesiones gingivales comunes, como granuloma piogénico, lesión periférica de células gigantes y fibroma osificante periférico. Escisión local conservadora ha sido recomendada como tratamiento de elección para FOP. Sin embargo, teniendo en cuenta la escasez de informaciones sobre el comportamiento biológico y la tasa de recidiva de este tumor, el seguimiento a largo plazo de los pacientes es fundamental.

Palabras-clave: tumores odontogénicos; encía; mandíbula; diagnóstico diferencial.

INTRODUÇÃO

O fibroma odontogênico periférico (FOP) é uma neoplasia odontogênica benigna rara de origem mesenquimal(1-3). Esse análogo extraósseo do fibroma odontogênico central(1-3) é responsável por 1,2% a 4,7% de todos os tumores odontogênicos(4-6).

Clinicamente, o FOP manifesta-se como uma massa nodular, séssil, não ulcerada de crescimento lento(1-3). Tem sido relatada uma ligeira preferência desse tumor pela mandíbula(7), principalmente na região gengival anterior(3). O envolvimento do osso subjacente é incomum, e alterações radiográficas não são, portanto, comumente observadas(7). No entanto, áreas de calcificação, depressão óssea superficial e perda óssea horizontal podem ser observadas em alguns casos(7-9). Em vista de sua apresentação clínica, em geral, o FOP é erroneamente diagnosticado como outras lesões inflamatórias reativas comuns que ocorrem na gengiva, como granuloma piogênico, fibroma ossificante periférico e lesão periférica de células gigantes(8, 10).

O FOP é um tumor não encapsulado histologicamente caracterizado por tecido conjuntivo moderadamente celular ou colagenoso, contendo quantidades variáveis de epitélio odontogênico aparentemente inativo(3, 10). Alguns casos podem apresentar tecido duro, exibindo características de dentinoide ou calcificações semelhantes ao cemento(3, 6, 11). O tratamento atual de escolha é a excisão cirúrgica conservadora(7, 8, 10). As taxas de recorrência local e o comportamento biológico do FOP ainda são discutíveis(7, 12). Assim, recomenda-se o acompanhamento em longo prazo(6, 13).

Este artigo relata um caso de FOP localizado na gengiva mandibular de uma mulher de 29 anos e revisa a literatura relevante sobre a patogênese, as características clinicopatológicas, o diagnóstico diferencial e o manejo terapêutico do FOP.

 

RELATO DE CASO

Em julho de 2016, uma mulher branca de 29 anos de idade foi encaminhada ao nosso departamento para avaliação de um edema indolor e de crescimento lento na gengiva que havia sido identificado dois anos antes. Seu histórico médico não possui nenhum destaque. O exame intraoral revelou nódulo séssil, avermelhado e indolor, de consistência mole na gengiva vestibular mandibular direita entre o segundo pré-molar e o primeiro molar (Figura 1), de aproximadamente 1,5 × 0,8 cm. O exame radiográfico revelou pequena perda de crista óssea na região (Figura 2). Foi realizada biópsia excisional com base no diagnóstico clínico inicial de granuloma piogênico ou lesão periférica de células gigantes.

 


Figura 1 − Nódulo séssil e avermelhado na gengiva vestibular mandibular direita entre o segundo pré-molar e o primeiro molar

 

 


Figura 2 − Radiografia periapical mostrando pequena perda de crista óssea na região

 

O exame histopatológico revelou uma lesão não encapsulada recoberta por epitélio escamoso hiperplásico, que exibiu transição para um tumor composto por tecido conjuntivo fibroso entremeado por ilhas e cordões bem definidos de epitélio odontogênico aparentemente inativo (Figura 3A e 3B). Também foi observado brotamento da camada basal do epitélio superficial (Figura 3C). Por outro lado, hialinização e focos de material calcificado não foram detectados. O diagnóstico final foi FOP. Nenhum sinal clínico de recorrência foi observado 22 meses após a excisão cirúrgica (Figura 4).

 


Figura 3 − Lesão revestida com epitélio escamoso hiperplásico, exibindo focos de degeneração hidrópica, espongiose e exocitose (A) – HE, ampliação original 40×. Tecido conjuntivo fibroblástico celularizado com numerosas ilhas e cordões de epitélio odontogênico, entremeado por um discreto infiltrado inflamatório mononuclear (B) – HE, ampliação original 100×. Detalhe do brotamento (setas vermelhas) da camada basal do epitélio superficial (C) – HE, ampliação original 200×
HE: hematoxilina e eosina.

 

 


Figura 4 − Aspecto clínico 22 meses após a excisão da lesão sem sinais de recidiva

 

DISCUSSÃO

O FOP é uma neoplasia odontogênica benigna rara de origem mesenquimal(2, 3) que representa apenas 1,2% a 4,7% de todos os tumores odontogênicos(4-6). Apesar de sua baixa frequência, é a neoplasia mais comum entre os tumores odontogênicos periféricos, representando aproximadamente 51,1% a 63,6% de todos os casos(5, 14). Essa lesão é amplamente aceita como um tumor odontogênico de origem mesenquimal, mas sua histogênese não foi estabelecida(7). Neste contexto, especula-se que o FOP pode originar-se do ectomesênquima, ligamento periodontal remanescente da lâmina dentária ou do epitélio de superfície(7, 10). Segundo Farman (1975)(15), o ectomesênquima na gengiva pode induzir a proliferação secundária dos remanescentes da lâmina dentária e da camada basal do epitélio gengival.

Os FOPs foram diagnosticados em indivíduos com idade entre 5 meses e 84 anos(4, 5, 7, 16), com pico de incidência entre a terceira e quarta décadas de vida(5, 7, 16-18). A maioria dos estudos relata uma predileção desses tumores pelo sexo feminino, com a relação feminino/masculino variando de 1,1:1 a 7,5:1(4, 5, 16, 18, 19). Em relação à localização anatômica, maior frequência de FOP tem sido relatada na mandíbula (41,1% a 70%)(4-7, 16-18), principalmente nas regiões incisivo/canino e pré-molar(5, 7, 16, 19). O caso apresentado neste estudo está de acordo com o perfil comumente relatado para pacientes com FOP.

Clinicamente, o FOP manifesta-se como uma massa nodular, assintomática, não ulcerada, de crescimento lento(1, 3, 18), cujo diâmetro varia de 0,3 a 3,4 cm(5, 7, 16, 17, 19). Em casos raros, pode se apresentar como lesões múltiplas ou exibir uma aparência verrucosa da superfície(5, 7, 16). A cor do tumor geralmente é normal ou rosada(17), mas alguns FOPs apresentam sangramento na escovação e assemelham-se a uma lesão vascular(4), como observado no presente caso. A apresentação clínica não é patognomônica para o FOP, e o diagnóstico diferencial deve incluir granuloma piogênico, lesão periférica de células gigantes, fibroma ossificante periférico, hiperplasia fibrosa, papiloma e outros tipos de hiperplasia gengival(5, 8, 10, 16).

Na maioria dos casos, o FOP não envolve o osso subjacente e, portanto, as alterações radiográficas não são comumente observadas(7). Assim, Ritwik & Brannon (2010)(7) relataram características radiográficas em apenas 12 (7,9%) dos 151 casos de FOP. As características radiográficas mais comuns do FOP incluem áreas de calcificação(7, 17), depressão óssea superficial(7) e perda óssea horizontal(9). Em casos raros, o FOP pode causar reabsorção óssea alveolar e deslocamento dentário(19).

Histologicamente, o FOP é caracterizado por quantidades variadas de epitélio odontogênico aparentemente inativo em meio a um estroma fibroso moderadamente celularizado(3, 10). O tecido conjuntivo pode variar de predominantemente fibroso a predominantemente mixoide(7), mas estudos retrospectivos relataram maior frequência de padrão fibroso celularizado(4, 6), como observado neste caso. O epitélio odontogênico pode variar de totalmente ausente a abundante e geralmente se apresenta como pequenas ilhas e cordões(3, 4). Em casos raros, pode ser encontrada diferenciação de células claras no componente epitelial(4, 6).

O brotamento da camada basal do epitélio superficial, que tem sido associado à recorrência do FOP(7), é observado em 57% a 80,4% dos casos(4, 7).

O tecido duro com características de dentina displásica, calcificações ovoides amorfas semelhantes ao cemento ou trabéculas de osteoide pode estar presente em até 77,8% dos FOPs(6, 7, 11). Em 43% a 52% dos casos, o tecido duro está intimamente associado ao epitélio odontogênico(5, 7). Segundo Ritwik & Brannon, a aposição de calcificação e os restos epiteliais odontogênicos estão associados a uma menor taxa de recorrência do FOP. No presente caso, não foram observados hialinização ou focos de material calcificado.

O atual tratamento de escolha para o FOP é a excisão local conservadora(7, 8, 10), mas as taxas de recorrência e o comportamento biológico do FOP ainda são discutíveis(7, 12). Alguns estudos sugeriram uma baixa taxa de recorrência do FOP, variando de 3,3% a 5,5%(6, 17). No entanto, outros estudos retrospectivos indicam um potencial significativo de recidiva local, o que é observado em 17,6% a 50% dos casos(7, 16, 18). A recorrência do FOP geralmente ocorre nos primeiros dois anos de acompanhamento(6, 7, 17). Ritwik & Brannon sugeriram que a remoção cirúrgica completa é o fator mais importante na prevenção da recorrência do FOP. Tendo em vista os dados inconclusivos quanto ao prognóstico do FOP, torna-se obrigatório o acompanhamento dos pacientes em longo prazo(6). No presente caso, nenhum sinal clínico de recorrência foi observado até 22 meses após o tratamento.

 

CONCLUSÃO

O FOP é uma neoplasia benigna rara, de origem mesenquimal odontogênica, que pode ser confundida clinicamente e diagnosticada como outras lesões inflamatórias reativas comuns que ocorrem na gengiva. A excisão local conservadora tem sido sugerida como o tratamento de escolha para o FOP. No entanto, tendo em vista a escassez de informações sobre o comportamento biológico e taxa de recorrência deste tumor, o seguimento em longo prazo dos pacientes é obrigatório.

 

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